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Colecção O  







O Papão

Pablo Albo & Maurizio A. C. Quarello
14,00 € | 978-84-96788-62-6
48 págs. | cartonado | 25x23 cm |
novembro 2007

A avó decide preparar às suas três netas uma surpresa na adega: pão com mel. ( Tinha-se esquecido de que essa era precisamente a comida preferida do papão). As netas, uma por uma, desceram pelas escadas escuras, frias e misteriosas; empurram a porta e…
 
O Bicho-Papão é um “come-crianças”, figura tradicional e popular em Portugal. As características comuns, apesar das variantes segundo a zona geográfica, figuram o gigante, a cabeça desmesurada, o aspecto brutal e a grande voracidade, comendo as crianças sem as mastigar. É diferente de outros monstros que actuam sem avisar – o Papão adverte sobre as suas intenções e avisa da sua voracidade natural a quem ousa vistá-lo -, mas quem se atreve a aproximar-se dos lugares que frequenta, come-os sem piscar.
 
O insólito herói que resolve a situação é, em todas as versões deste conto, a pequena formiga, presente também como herói noutros contos tradicionais de estrutura narrativa similar.
A versão de Pablo Albo ajusta-se em boa medida à tradicional, mas é tratada com humor e tem um desenlace afectuoso e divertido.
 
Se no conto recolhido por Aurélio Espinosa ( tal como noutras versões paralelas recolhidas em Espanha no início do século passado ) o herói mata o monstro, Pablo Albo opta por uma divertida transformação simbólica do gigante, que acaba por integrar-se no mundo representado pelo herói.
Deste modo, o bem triunfa sobre o mal, graças à intervenção solidária de difrentes personagens com os quais se identificará o leitor.
Os papões correspondentes noutros lugares da Peninsula, possuem igualmente uma etimologia transparente: El Papón na Galiza, El Papú na Catalunha… todos eles sobreviveram até aos nossos dias na memória e se foram utilizando muitas vezes com carácter funcional e em missões pontuais junto das crinaças: portar-se bem, ir para a cama, não sair à noite, não aproximar-se de desconhecidos…
A imaginação conjugada com a necessidade de prevenir estes actos criou, dentro da cultura popular, figuras assutadoras que se foram transmitindo oralmente através dos séculos.
O carácter universal destes relatos fantásticos radica, entre outras razões, no facto de se constituirem um complemento fundamental no desenvolvimento da fase da infância. Os problemas e angústias existenciais apresentam-se através de personagens populares que entendemos com facilidade.
A vida surge como um campo de batalha no qual forças antagónicas lutam e onde, ainda que infelicidade seja um componente, o mais fraco é capaz de vencer o forte. Os assustadores da infância constituem um mundo mitológico real com componentes análogos ao mudo mitológico dos adultos.
Maurizio A. C. Quarello, uma vez mais, dentro do seu estílo, recorre a sombras magistralmente utilizadas, e a compodições arriscadas, jogando com os planos como se de um trabalho cinematográfico se tratasse.

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