Galego | Español | Euskera | English | Português | Français | Italiano | Polski | Português BR
 
 
 
 

Menú de Usuario

 
 


Colecção Q  







O comboio

Silvia Santirosi & Chiara Carrer
15,50€ | 978-84-9871-331-2
48 págs. | cartonado | 22x28 cm |
fevereiro 2012

Como explicar-te que as pessoas que amamos morrem, deixam-nos e partem? Como explicar-te que o amor e a alegria fazem parte da vida, tal como a dor e a tristeza? (…) Como explicar-te tudo isto, minha filha? Então conto-te uma história.
 
Em O comboio, a pequena protagonista tem que enfrentar a terrível perda da mãe. O pai recorre a uma história para a ajudar a entender um facto tão doloroso quanto natural.
As histórias foram usadas desde a antiguidade como portadoras de conhecimentos e instrumentos de compreensão. O método de ensino através do conto é muito efetivo, tal como demonstra a sua alta difusão e o emprego desta técnica narrativa por muitas tradições espirituais.
O uso da história com esta finalidade didática e transmissora de verdades universais seria o equivalente às parábolas no evangelho, técnica que também se utiliza no Talmude, no Bhagavad-gita, nos Gathas de Zoastro ou no Corão.
Na sua primeira colaboração com a OQO, as italianas Silvia Santirosi e Chiara Carrer souberam introduzir, tanto no texto como nas imagens, a adequada dose de tato e de delicadeza que um tema deste calibre exige.
Assim, nem a ilustradora recria cenas propícias ao drama, nem a autora recorre a mentiras piedosas para amenizar a perda: todas as noites vais à janela para veres a tua estrela, aquela que descobriste no céu. Não retira escuridão à tua noite, mas estará sempre aí.
A história incide em que as crianças, tal como os adultos, precisam de tempo para assimilar uma perda que sentem profundamente. O comboio está lá parado, papá. Ouve-se o apito do chefe da estação e as portas fecham-se. Deixam-me cá fora, sozinha. Não consegui entrar no comboio. Havia tipo um muro invisível que impedia que eu me mexesse. Agito o meu bilhete no ar. Ponho-me a gritar que tenho mesmo que entrar, apesar de saber que é tarde demais. O comboio parte. Noite após noite, fico a vê-lo desaparecer após uma curva.
Na sua obra-prima, Silvia Santirosi joga com a carga simbólica dos sonhos e do comboio para abordar o temor que implica enfrentar uma nova etapa da vida e ainda mais quando é forçada por uma perda tão forte como a que a protagonista vive.
O comboio nos sonhos é a imagem da vida coletiva, social... Indica um processo psíquico, uma toma de consciência que arrasta uma nova vida. Sonhar perder o comboio está associado a sentimentos de impotência (para continuar a vida) e de insegurança. A evolução pode atrasar-se devido à frustração, ao fracasso...
A estação é o ponto de partida; um símbolo inconsciente. É preciso traçar um novo rumo, está num centro de circulação mas... qual é o caminho certo? Apanhar o comboio (em sonhos) indicaria superar uma etapa. A dificuldade de entrar é a de se integrar na vida social que se pode dever, entre outras causas, ao isolamento ou à introversão.
Para dar vida a esta precoce aprendizagem, Chiara Carrer aposta em desenhos simples com uma forte carga conceptual com que pretende transmitir o medo, as dúvidas, as incertezas inerentes às “dificuldades de viver”… Temas por que se tem decantado nos seus últimos trabalhos porque lhe dão a possibilidade de explorar “o interior humano” num mundo “com pressas que empurra para a frente e sem tempo para refletir”, um espaço que este álbum exige e propicia.
 
Texto de Silvia Santirosi
Ilustraçoes de Chiara Carrer
Tradução do italiano Elisabete Ramos

+ de 8 anos
Também disponível em: GL | ES | FR
 
 
 

Alemaña, 72
36162 Pontevedra
(Galiza) Espanha
T +34 986 109 270
F +34 986 109 356
© OQO. Reservados todos os direitos