-- Este livro, que faz parte da coleção solidária Qontextos, foi escolhido este ano como um dos livros mais belos do mundo pela Internationale Jugend bibliothek de Munique (Alemanha) que o incluiu no seu catálogo The White Ravens 2011.
O Banco do Livro escolheu o álbum da OQO editora Caixa de cartão (Txabi Arnal e Hassan Amekan) como um dos melhores livros para crianças publicados na América Hispânica.
O Banco do livro, associação civil privada venezuelana sem fins lucrativos, que investiga, experimenta, inova e divulga ações dirigidas a crianças e jovens para a sua formação como leitores, criou o prémio Os Melhores Livros para Crianças e Jovens como um reconhecimento da qualidade e da variedade no mercado editorial das publicações em espanhol.
Este álbum da coleção solidária Qontextos recebeu este ano na Feira do Livro de Bolonha uma Menção White Raven, distinção que a Internationale Jugend bibliothek de Munique (Alemanha) outorga àqueles que considera os livros mais belos do mundo.
«Este ano, selecionar 128 livros de entre tão ampla oferta no mercado, incluindo editoras que ainda estão a dar os primeiros passos, não foi um trabalho fácil», admitiu o Comité de Avaliação do Banco de Livros ao dar a conhecer os vencedores desta trigésima primeira edição.
Este ano, os participantes no evento destacaram o impulso de vários géneros, como é o caso dos livros para bebés, os livros-álbum e as suas «corajosas» reinterpretações dos contos clássicos e de «questões difíceis, como o apego à terra e a migração». É precisamente este último, o tema que o livro premiado da OQO aborda.
Coleção solidária Qontextos
Caixa de cartão (editado em espanhol e em galego) é o segundo título da coleção solidária da OQO editora, Qontextos. Com esta obra foi dada continuidade ao projeto iniciado em 2008 com Fumo (Antón Fortes e Joanna Concejo), álbum também distinguido em 2009 com um White Raven.
Esta coleção pretende reservar um espaço dentro do catálogo para alguns temas pouco habituais na literatura infanto-juvenil como, por exemplo, a guerra, as desigualdades sociais ou a existência de regimes antidemocráticos.
AS DURAS CONDIÇÕES DOS IMIGRANTES ILEGAIS
Neste álbum, Txabi Arnal e o ilustrador iraniano Hassan Amekan unem-se para oferecer uma crónica da imigração, mas de um ponto de vista muito diferente daquele que habitualmente nos apresentam os telejornais e os jornais. Nestas páginas não há análises de jornalistas nem estatísticas; apenas a voz corajosa dos protagonistas deste autêntico drama humano, e vai ser uma menina imigrante que, na primeira pessoa, nos relata a sua história.
O género autobiográfico torna-se aqui o veículo idóneo para transmitir as experiências daqueles que emigram. Mas o seu testemunho, para além de oferecer uma perspetiva mais humana da imigração, descobre a complexidade deste fenómeno que apresenta faces muito distintas: a face da fome e da miséria nos países de origem, a face das máfias que traficam pessoas, a face do ódio e da xenofobia com que o primeiro mundo recebe os estrangeiros…
E apesar desta realidade tão desoladora, em Caixa de cartão há esperança. Porque esta história também fala de solidariedade, desse vínculo fraternal que se estabelece entre os imigrantes, e de segundas oportunidades, como a desta menina que após perder tudo, finalmente é adotada por uma família e encontra um novo lar.
O responsável por dar rosto às personagens criadas por Txabi Arnal nesta ocasião é Hassan Amekan. O ilustrador, consciente das penalidades que vivem os imigrantes, sobretudo quando ilegais, constrói figuras e cenários que parecem de cartão, material com que tenta que o leitor faça uma ideia da fragilidade e do desamparo das personagens.
O livro da OQO editora, tal como os outros premiados tanto na categoria infantil como na juvenil, fazem parte de uma mostra exposta na sede do Banco do Livro em Caracas (Venezuela) desde a passada sexta-feira, 29 de abril.